Os Bichinhos

Um caramujo poeta

Este simpático gastrópode, conhecido como Caramelo, foi o primeiro habitante do jardim. Uma espécie de ‘Adão’ dos Bichinhos, que nasceu em meados do ano 2000. Representante da espécie Helix aspersa, Caramelo é um sonhador típico: otimista e romântico. Não aceita ser considerado apenas ‘um pedaço de gosma ambulante com um caroço nas costas’, como já foi chamado.

Caramelo crê ainda que vá sofrer algum tipo de metamorfose que lhe dará asas. Ele nutre uma paixão utópica pela bela e cabeçuda borboleta Brigitte. Seu melhor amigo é Mauro Minhoca.

O caramujinho é filósofo, inteligente e adora poesia. Mas também tem seus momentos de indivíduo mediano, gosta de consumir, assistir televisão e come bastante. Seus pratos prediletos são folhas, flores e amoras. Caramelo por ele mesmo: “sou um ser vivo, arrebatado, infinito, que, por isso mesmo, não caibo em mim – a não ser quando me enrolo e viro uma bolinha”.

Uma borboleta charmosa

Brigitte nasceu para contracenar com Caramelo. Foi sua principal companheira por vários anos, antes de nascerem os outros personagens. É um inseto com muita feminilidade – vaidosa, esperta e ambiciosa. Começou a namorar um bicho verde chato (Greg), que fazia pontas nas tirinhas, e partiu o coração de Caramelo, que desde então se tornou um andarilho à procura do amor perdido.

Ela ama flores (obviamente) e lê todas as revistas femininas que existem. Quer ser modelo profissional, mas acha que está acima do peso. Uma mulherzinha clássica – mas com muita classe!

Uma joaninha geniosa

Joaninha nasceu coadjuvante. Ganhou expressão por sua personalidade forte e seu mau humor constante. Realista, pé-no-chão e rigorosa, Maria Joaninha Cascudo cativa pela identificação instantânea que provoca. Ela já foi abordada por vendedores de telemarketing, atura amigos sem-noção e lida com situações caóticas e irritantes do dia-a-dia – como todos nós.

Gosta de escrever, é organizada e multi-talentosa. Faz freelas como repórter, já atuou como policial e sempre dá a palavra final em qualquer assunto. É uma líder nata – principalmente se o modelo de governo for a ditadura.

Apesar de todo esse perfil linha dura, Joaninha ama seus amigos e, como toda mulher, sonha em se apaixonar. Teve um romance mal-sucedido com um m&m, o que a deixou cética em relação ao amor. Nada que uma nova paixão não resolva – a grande questão é: quem aguentará essa pimenta?

Um ‘minhoco’ ingênuo

Mauro é um dos personagens mais adoráveis do Jardim. Despretensioso e simplório, gosta dos prazeres simples da vida – que, para uma minhoca, se resumem a fazer buracos na terra e passear com seus companheiros.

Mauro foi fruto da paixão entre duas minhoquinhas de cores diferentes de espécies rivais. Por isso nasceu listrado de verde e amarelo e tem muito orgulho de suas origens.

Ele se trata com homeopatia, acredita na felicidade, na amizade e tem grandes questões ligadas à religiosidade. Confia em todas as lorotas que Caramelo diz e tem um apreço especial pelo Meleca, o lagartinho silencioso sobre o qual falaremos adiante.

Um lagarto mudo

Seria dispensável apresentar Meleca, mas fica impossível não falar dele, mesmo que a descrição seja insuficiente e reducionista.

Meleca é um lagarto minúsculo (menor que uma joaninha, vejam só) que apareceu também como figurante em uma das tirinhas. Ganhou vida própria e conquistou milhares de pessoas simplesmente com seu olhar expressivo e um silêncio inteligente.

Em um mundo cheio de ruídos, ansiedades e desesperanças, Meleca transita com a propriedade dos sábios – ou com a inocência dos bobos, não sabemos ao certo. E que importa? Ele é simplesmente Meleca.

Genoveva, uma flor

Uma plantinha carnívora que aparecia já nas tiras do finado Jujubinha (primeira série de quadrinhos que escrevi, nos idos de 1994). Conquistou historinhas próprias, onde conversa com variados tipos de vegetais. “Conversa” não é bem a palavra: os papos são sempre unilaterais, só ela fala. E como fala!

Nasceu com o dom para o sarcasmo – meio similiar à Maria Joaninha – e adora fast-food (principalmente o bigue-méqui-mosca).

Tuta, o tatu

Tuta é o bebê da  turma, fofo e cheio de energia. Está sempre às voltas com questões ligadas à escola Senzalinha Feliz, onde frequenta. Adora brincar mas pensa bastante e nada passa despercebido a seus aguçados sentidos infantis.

Lampix e Bit Lux

Dois vaga-lumes que pensam poeticamente as questões da noite, do descanso, do espaço e das estrelas.

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Veja também: a evolução do traço dos bichinhos.